Space Dementia*
223 dias.
Há 223 dias que tenho apenas o frio e a solidão como companhia.
Os bipes dos computadores são os únicos sons que impedem este lugar de cair num silêncio tão profundo que nem mesmo minha voz seria capaz de quebrar. Enviar dados, fazer consertos e checagens de rotina... É tudo o que eu faço aqui. Me locomovendo lentamente por entre esses espaços apertados, sinto como se fosse ser esmagado por essas paredes de metal e me perder eternamente na escuridão.
Mas algo acontece em mim toda vez que olho pra fora, e vejo a Terra. Desde o primeiro dia, a visão foi arrebatadora. Vê-la em toda a sua magnitude me fez querer voltar. Só de estar tão longe e imaginar toda a vida e emoção que está acontecendo lá, me faz amaldiçoar a solidão. Quanto mais eu olho, mais o meu peito aperta, como se suplicando para que eu faça algo que aplaque este vazio. Já não quero mais estar aqui. Quero o seu barulho, sua vibração, o seu calor.
Então, por causa de uma avaria em uma bomba de refrigeração que me obrigou a ter que fazer o reparo externamente, eu me vi livre das ferragens e computadores pela primeira vez em tanto tempo. Olho para toda aquela amplidão que está em minha frente e ouço uma voz me chamando. Estico meus braços na ânsia de que essa distância diminua e eu possa chegar um pouco mais próximo de você. E então eu não aguento mais perco o controle. Não há nada mais que me impeça. Eu me lanço lentamente em sua direção para por um fim nisso.
Afinal, eu iria morrer de saudade de qualquer jeito.
Há 223 dias que tenho apenas o frio e a solidão como companhia.
Os bipes dos computadores são os únicos sons que impedem este lugar de cair num silêncio tão profundo que nem mesmo minha voz seria capaz de quebrar. Enviar dados, fazer consertos e checagens de rotina... É tudo o que eu faço aqui. Me locomovendo lentamente por entre esses espaços apertados, sinto como se fosse ser esmagado por essas paredes de metal e me perder eternamente na escuridão.
Mas algo acontece em mim toda vez que olho pra fora, e vejo a Terra. Desde o primeiro dia, a visão foi arrebatadora. Vê-la em toda a sua magnitude me fez querer voltar. Só de estar tão longe e imaginar toda a vida e emoção que está acontecendo lá, me faz amaldiçoar a solidão. Quanto mais eu olho, mais o meu peito aperta, como se suplicando para que eu faça algo que aplaque este vazio. Já não quero mais estar aqui. Quero o seu barulho, sua vibração, o seu calor.
Então, por causa de uma avaria em uma bomba de refrigeração que me obrigou a ter que fazer o reparo externamente, eu me vi livre das ferragens e computadores pela primeira vez em tanto tempo. Olho para toda aquela amplidão que está em minha frente e ouço uma voz me chamando. Estico meus braços na ânsia de que essa distância diminua e eu possa chegar um pouco mais próximo de você. E então eu não aguento mais perco o controle. Não há nada mais que me impeça. Eu me lanço lentamente em sua direção para por um fim nisso.
Afinal, eu iria morrer de saudade de qualquer jeito.