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Mostrando postagens de fevereiro, 2022

Um dia

Eu só precisei de você
pra fazer um dia diferente o suficiente
pra me fazer esquecer
os duzentos dias iguais que eu tive.

Ritmo

Enquanto a melodia toca,
sigo o ritmo com meus dedos
fazendo teu corpo soar como eu quero
até que a música passe a não mais importar.

Transe

Eu não estava preparado. 

Na realidade, nunca estou.

Por mais que já tenha acontecido um número incontável de vezes, jamais saberei agir como se fosse algo normal. Meu cérebro falha, e eu não faço nada além de congelar, naquele espaço de tempo de menos de um segundo. 

Depois, o tempo corre normal e eu saio do transe, mas sei que tudo vai acontecer de novo e de novo, sempre que eu te vir pela primeira vez.

Uma promessa boba

Praticamente a maioria das pessoas que você conhece já fez aquele acordo com uma amiga ou amigo que, se ambos atingirem uma certa idade e estiverem sozinhos, os dois irão se casar. Bem, na verdade você já deve ter feito isso, eu já fiz... É uma promessa boba e, de certa forma até fofa, já que carrega todo o simbolismo de os amigos estarem sempre ali, sempre juntos, impedindo que o outro passe a vida só. E sem falar que, por serem amigos, é tudo mais simples: ambos já se conhecem profundamente, qualidades e defeitos... Na teoria, parece perfeito.

Na teoria.

Esses dias me deparei com o relato de um cara que fez essa promessa com sua melhor amiga, que se chegassem aos 30 e estivessem sozinhos, casariam. E ele contou que ao ver todos as outras pessoas ao seu redor se casando, engravidando, formando família, os dois decidiram que chegou a hora da promessa ser paga. Resolveram se casar e, pra todos os outros amigos, pareceu uma coisa natural, já que ambos eram amigos de longa data, foi muito fácil vender a ideia de que era uma coisa real, que era apenas uma consequência, algo que cedo ou tarde aconteceria. E ele seguiu contando que na nova vida, o começo foi estranho e engraçado, com os dois tentando descobrir como as coisas funcionariam, o que fariam ou não. Tentaram transar algumas vezes, mas acabou não rolando pra ela, que não conseguia desvincular a imagem de amigo de longa data do agora, marido, e decidiram ser melhor eles dormirem com outras pessoas.

E assim foi, com ela ficando com vários caras, e ele ficando com apenas uma mulher, porque logo percebeu que estava perdidamente apaixonado pela sua esposa, que claramente nunca sentiu nada por ele além de uma profunda amizade. Para ela, ele era apenas um grande amigo que sabia tudo sobre ela, desde as coisas mais triviais até as mais intimas (inclusive sobre o sexo que ela fazia com os outros caras). E ele concluiu dizendo que não sabia o que fazer, pois sabia que a partir do momento que revelasse o que realmente sentia por ela, iria estragar até a amizade. Ela jamais o amaria de uma forma diferente, isso era claro.

Putamerda, eu não sei nem por onde começar.

Enquanto eu lia história do cara, fiquei imaginando o inferno que deve ser. Imagina dividir o teto com a pessoa que você ama, mas que não sente nada (até porque ninguém tem obrigação nenhuma de sentir algo) por você? Imagina saber que ela tá mandando ver no quarto ao lado com uma pessoa aleatória e você não pode (e nem tem o direito de) fazer nada a não ser sofrer com sua dor? Eu poderia realmente olhar romanticamente para essa situação, só fiquei indignado. Por que caralhos esse cara não se separa? Que medo é esse de estar só? Se for pra apenas dar uma resposta a sociedade, agir de acordo com o que se espera de um adulto, essa é a coisa mais burra a pode ser feita. Achar que a vida acaba se você passar dos 30 e não casou é a maior idiotice que eu já vi na minha vida.

Enfim, ainda bem que a gente faz essas promessas simplesmente da boca pra fora, porque querendo ou não, é bem comum uma pessoa acabar casando com alguém que acaba não sentindo a mesma coisa da mesma forma que ela, e essa história absurda que aconteceu com esse cara acabar se mostrando uma possibilidade real.

Chuva

Quando levantou e saiu do quarto, foi que ele percebeu o tempo fechado. Na verdade, nem ouviu como o mundo caia lá fora, o barulho intenso da chuva contra o vidro, ou os trovões que rasgavam o céu. Eram pouco mais de 8 da manhã, e não havia sinal de que o céu iria azular. Depois de alguns segundos refletindo, enquanto olhava a chuva cair intensamente naquela manhã de domingo, concluiu, rindo:

- É nisso que dá, ter roubado o sol pra mim.

Fechou a cortina, voltou para o quarto e deitou ao lado dela, que ainda dormia tranquilamente.

Impacto

A melhor parte
de me deixar dominar
é o impacto que causo
quando a gente troca de lugar.

Madrugada

Os dois saíram pra ver um filme, mas no caminho ela sugeriu que os dois podiam passar no bar de sempre para tomar um drink ou umas cervejas, depois que o filme acabasse. "Ou a gente pode nem ir ao cinema e já começa a beber de agora", ele brincou. Ela, olhando pra ele seriamente, falou "ainda bem que a gente nem chegou a comprar os ingressos, porque é exatamente isso que a gente vai fazer agora". Ele olhou incrédulo, já que ela queria muito ver o filme até o dia anterior, mas não questionou e só mudou de caminho.

No bar, ainda não havia muita gente, mas alguns amigos deles já estavam por lá. Depois de falar com todo mundo e se sentarem a mesa, ele a perguntou o que queria beber, que respondeu que daquela vez os dois iam começar diferente. Ele ficou sem entender, e ela só levantou e foi até o balcão, voltando uns minutos depois com duas tequilas. Antes dele ter tempo de protestar, ela perguntou se ele tinha ficado com medo, o que o tirou do sério, já que ela sabia que ele cairia muito fácil na provocação. "Você tá jogando um jogo muito perigoso", ele disse, ao que ela respondeu "você já me viu perder alguma vez?". Os amigos também entraram na onda e, em pouco tempo, a mesa já estava animada e a noite nem havia começado direito. Enquanto conversavam com os amigos, ele sentiu a mão dela subindo pela coxa dele. Instintivamente ele olhou em volta pra ver se alguém havia percebido, mas todo mundo estava empolgado na conversa, inclusive ela, que agia como se não estivesse acontecendo nada, mas embaixo da mesa passeava com a mão apertando e acariciando o pênis dele, por cima da calça. No momento em que ela se preparava para abrir o zíper, chegou mais uma amiga deles, o que a obrigou a parar, e ele agradeceu em silêncio, porque sabia que a situação estava muito preocupante, e ia piorar se continuasse do jeito que estava. Então a amiga propôs que todo mundo se levantasse pra dançar, já que não havia de casa pra ficar parada, e todo mundo atendeu ao chamado.

Quando todo mundo se levantou, ele perguntou a ela se as tequilas que haviam tomado bateram errado, e ela respondeu que era justamente o contrário, bateram certo demais. Enquanto todos dançavam, ele a abraçou por trás, e ela o sentiu que ele continuava ereto. Então, ela começou a se movimentar lentamente, pressionando os quadris contra ele, que respondia a altura, a apertando forte. A luz e a música também ajudavam a criar o clima, e logo haviam outros casais dançando, o que os deixou mais à vontade para se empolgarem um pouco mais. Ele beijava o pescoço dela, o que a fez virar e o beijar com vontade, com as mãos percorrendo os corpos ousada, mas discretamente. Depois de alguns minutos, ele perguntou se já não estava na hora de ir embora, e ela concordou, já que também estava com vontade de terminar o que havia começado. Se despediram dos amigos, e seguiram para casa.

Mal tiveram tempo de entrar, e ele a segurou pelo pescoço e empurrou contra a parede e logo já estava de joelhos, a chupando com devoção. Quando viu que ela estava prestes a gozar, ele parou, o que a deixou desnorteada. "Eu tô só começando", disse ele, enquanto a jogava no sofá.

A madrugada dos dois ia ser longa.

Bloqueio

Eu não sei sobre o que escrever.

Quer dizer, eu sei, mas ao mesmo tempo eu não sei se vou conseguir escrever algo que seja coerente ou satisfatório. Escrevo a primeira frase, mas não é o jeito que eu devo começar, então apago. Mudo palavras como se isso fosse o que precisava para a idéia se desenvolver, mas não rola. Vou mudar o tema, afinal tem aquele outro que eu pensei que daria em algo legal.

Agora vai.

Não, não foi. Não vai ficar tão bom... Melhor deixar esse pra fazer quando eu tiver mais empolgado. Vou voltar pro outro. Ontem não rolou, mas acho que agora vai.

Escrevi uma frase, duas, um parágrafo inteiro.

Aí vou ler e nossa, tá terrível.

Deixa pra lá, hoje também não vai rolar. Amanhã eu volto pra ver no que dá.