Uma vez, quando eu era pequeno, eu queria um trenzinho de brinquedo. Via a caixa, com uma arte bonita do trem em movimento, e pensava que devia ser incrível brincar com ele.
Quis bastante, mas nunca fui de pedir, então só olhava a distância o brinquedo nas prateleiras, me imaginando nas várias aventuras que eu viveria com aquele trem, já que no momento aquela era a única coisa que me era possível.
Até que um dia, eu o ganhei. E no mesmo instante, cheio de felicidade, já abri a caixa. Tirei os trilhos, retos e curvos, e fui montando cuidadosamente o percurso que o trem percorreria.
Então era a vez do trem. Tirei e encaixei cada um dos vagões, coloquei uma pilha, o coloquei nos trilhos e liguei. Ali estava ele, em movimento pelo caminho, seguindo, e eu observando atentamente, feliz. Deu uma volta, duas, três… E era isso. Ele girava, mudava o caminho, caso se mudasse uma chave para a troca dos trilhos, e só. Enquanto ele girava, girava, eu me desinteressava, pois não havia nada que aquele brinquedo pudesse fazer além daquilo.
Claro, eu era criança, então logo arranjei novas formas de utilizar o trem nas minhas brincadeiras, mas foi ali, com 6 ou 7 anos que eu aprendi que tem coisa que é melhor apenas olhar a distância, porque talvez, quando a gente entra em contato, seja algo apenas superficial e nem tenha tanta graça assim.