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Mostrando postagens de abril, 2022

Se

Se tu me desse liberdade,
A ti eu me prenderia.

Fingir

Se você quiser 
fingir que eu sou o seu bem,
eu não me importaria
em fingir, por um dia, 
que você é o meu, também.

12º

Você pode olhar pra mim.

Mas será que você 
realmente
me vê?

Esperando

Ele estava inquieto.

Sentava no sofá, mas não ficava ali por muito tempo. Levantava e andava de um lado para o outro, vagava pelos cômodos da casa. Voltava pra sala e olhava para a porta, na esperança de vê-la se abrir.

Enquanto via o seu pequeno amigo aflito, o rapaz andou até ele lentamente e o fez um carinho, que foi respondido com um latido e um abano de rabo. Ao se sentar no chão ao lado do amiguinho, ele falou, tristonho:

 - É, pequeno, é melhor se acostumar. Ela não vai mais voltar.

Queimou

De tanto brincar com fogo,
quando ele me queimou
eu nem senti.

E me consumiu.

Ópio

Eu evito ceder hoje,
porque amanhã 
eu sei que irei querer mais
e não saberei o que fazer
se eu não tiver.

?

Quando tu me pediste um coração,
eu não tinha um para entregar.

Como poderia te dar algo que já era teu?

Pôr do sol

Ele estava reparando que ultimamente o pôr do sol tem ficado muito mais bonito, e ficou se perguntando qual seria o motivo: se era a estação do ano, o clima mudando...

Então ele pensou, pensou e riu, porque percebeu que sabia o motivo.

- Ele se põe pros lados da casa dela, e é essa a hora que ela sai pra passear. Quem é que não ficaria feliz só de saber que tem a oportunidade de a ver passar?

Trem

Uma vez, quando eu era pequeno, eu queria um trenzinho de brinquedo. Via a caixa, com uma arte bonita do trem em movimento, e pensava que devia ser incrível brincar com ele.
Quis bastante, mas nunca fui de pedir, então só olhava a distância o brinquedo nas prateleiras, me imaginando nas várias aventuras que eu viveria com aquele trem, já que no momento aquela era a única coisa que me era possível.

Até que um dia, eu o ganhei. E no mesmo instante, cheio de felicidade, já abri a caixa. Tirei os trilhos, retos e curvos, e fui montando cuidadosamente o percurso que o trem percorreria.
Então era a vez do trem. Tirei e encaixei cada um dos vagões, coloquei uma pilha, o coloquei nos trilhos e liguei. Ali estava ele, em movimento pelo caminho, seguindo, e eu observando atentamente, feliz. Deu uma volta, duas, três… E era isso. Ele girava, mudava o caminho, caso se mudasse uma chave para a troca dos trilhos, e só. Enquanto ele girava, girava, eu me desinteressava, pois não havia nada que aquele brinquedo pudesse fazer além daquilo.

Claro, eu era criança, então logo arranjei novas formas de utilizar o trem nas minhas brincadeiras, mas foi ali, com 6 ou 7 anos que eu aprendi que tem coisa que é melhor apenas olhar a distância, porque talvez, quando a gente entra em contato, seja algo apenas superficial e nem tenha tanta graça assim.