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Mostrando postagens de maio, 2020

Céu

Ontem a noite eu sonhei que amanhã eu não acordaria.

Eu acordava e tinha um dia tranquilo e normal. Andava pela cidade, num dia de céu limpo, com o fone de ouvido e minhas playlists tocando, como sempre fazia. Sentava na frente da TV, jogava e ria.

E enquanto a noite mansamente chegava, eu começava a sentir uma onda gigantesca de nostalgia.
Começava a lembrar de muita coisa. Lembrava das viagens, as que fiz com amigos, e as que fiz sozinho, onde eu descobri que eu poderia ir a qualquer lugar, era só querer. Lembrava dos shows em que eu pulava e cantava alto, de quando eu sentava à mesa do bar e conversava e ria por longas horas.
Então, movido por esses sentimentos que faziam meu coração aquecer, eu saia de casa, e de repente estava num campo aberto, sozinho. Ao olhar ao redor e ver que estava só, ouvindo apenas o farfalhar das folhas, eu me deitava na grama e ficava olhando para o céu, vendo as estrelas se apagando lentamente, e lembrando de todas as pessoas que haviam passado pela minha vida e a deixaram, por breve que tenha sido, um pouco mais feliz. E uma lágrima escorria por não poder ter os visto, abraçado ou beijado por uma ultima vez.

 - O céu está bonito - dizia, enquanto fechava os olhos, e sabia que eles não abririam nunca mais.

Passei o dia inteiro pensando nesse sonho, e resolvi escrever sobre ele.

Coincidentemente, numa noite em que achei o céu estranhamente muito bonito.

Páginas

Alguém me perguntou
quanto tempo faz
que eu não escrevo uma carta de amor.

menti dizendo não lembrar da última vez,
quando na verdade todo dia,
mentalmente escrevo um livro,
mas que, por vários motivos,
apenas algumas páginas chegam até você.

The Fragiles

Hoje de manhã ela acordou se sentindo diferente.
Como há muito não acontecia, ela sentia que era capaz de fazer o que quisesse. Deu andamento a um trabalho que fazia tempo que estava emperrado, e viu as palavras surgirem com rapidez e naturalidade na tela do computador.

Enquanto trabalhava, deu vontade de escutar música. Mais especificamente, deu vontade de escutar The Fragiles. Fazia tempo que ela não ouvia, já que era a trilha sonora de quando o seu casamento ainda existia. Os dois amavam, então ela, por muito tempo nem cogitava botar pra tocar, porque sabia que ia doer. Ano passado, nessa mesma data, eles iriam juntos ver um show deles ao vivo, mas a história dos dois acabou antes que pudessem fazer qualquer coisa. Ela até pensou em ir sozinha, mas decidiu não fazer isso.

Mas aí o tempo passou, e hoje ela ouviu.
Batucava e cantava todas as músicas, enquanto trabalhava, empolgada. E se sentia muito bem. Ela pensou que iria morrer quando ouvisse novamente, mas estava ali, viva e feliz.

Se até o amor passa, por quê a dor também não passaria?