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Dignidade

Quando ele acordou, ela já havia levantado. Ele começou a se vestir, tentando parecer o mais natural possível ao sair do quarto. Ela, que estava na cozinha, sorriu meio sem graça e perguntou se ele não queria um copo de café, mas ele disse que não, que tinha que ir, então ela também não fez muito esforço pra que ele ficasse. Se despediram meio desajeitadamente e ele seguiu o seu caminho.

Assim que fechou a porta, ela se sentou no sofá, respirou fundo e começou a pensar no que havia acontecido. Desde que o namoro acabou eles acharam por bem cortar o contato, cada um estava em um ponto diferente da vida e o namoro já dava sinais de não ir a lugar algum. Desde então, haviam se passado 7 meses desde a ultima vez que os dois haviam se visto.

Mas aconteceu de os dois se encontrarem por acaso em um bar. Ela o cumprimentou, e ele sorriu ao vê-la. Ao decorrer da noite os dois acabaram conversando muitas vezes, até que em algum momento, os amigos dos dois haviam ido embora e os deixaram a sós. A partir dali, ela só lembrava de flashes: ele cantando alguma musica olhando nos olhos dela, ela o beijando com vontade dentro do carro, os dois não aguentando e transando no corredor do apartamento dela, ela gozando várias vezes durante a noite.

Ela não tinha bebido nada além de suco aquela noite. Enquanto pensava em tudo que havia acontecido, ela chegou a conclusão que o povo pensa que cachaça tira a dignidade das pessoas, mas na verdade o tesão era muito pior.

Cada palavra

É comum eu esquecer o que sai pra procurar, ou o que ia fazer. Esqueço até de senhas que eu costumo usar com frequência.

Mas, por acaso, eu lembro de qualquer coisa que ela me diz, pode ser importante, ou algo besta. E mesmo que ela não lembre, e acabe repetindo algo que já tenha me dito, eu ouço como se fosse a primeira vez.

Mesmo que tenha sido há muito tempo, parece que minha mente faz questão de guardar cada palavra que ela me diz.

Toda vez

De tanto esperar
o momento ideal,
quando decido fazer o que pensei,
sempre é tarde demais.

Mão

Eu soube que era você,
entre todas as pessoas,
no momento em que você viu os meus demônios.

Ao invés de correr, você não se moveu.
Só me estendeu a mão.

2 am

Pouco mais de 2 da manhã.

A cidade já está dormindo, os bares já estão fechando suas portas, as ruas, praticamente desertas... Se não fosse por uma garota que lutava ferozmente contra a vontade que sentia de romper o silêncio em uma rua mal iluminada.
Encostada na parede, ela mordia uma mão, enquanto a outra puxava o cabelo do seu par, que estava ajoelhado, a chupando lentamente e com vontade. A cada movimento que a lingua dele fazia, ela se concentrava ao máximo para não deixar os suspiros se transformarem em gemidos, mas achava que talvez não conseguisse resistir por muito tempo. Ela só conseguia pensar que ele era louco por estar fazendo aquilo ali, pois eles poderiam ser vistos por alguém. Mas ela não sentia vontade alguma de parar, e só pensava em gozar na boca dele.

-

Enfraquecida e com as pernas bambas, ela lentamente escorregou até o chão e o olhou, respirando forte e pensando que ainda queria mais, ali ou em qualquer outro lugar.

Beijo

Tem beijo que bate diferente.
Que sobe um calor, que dá uma vontade de se entregar e deixar que ele se aposse dos nossos corpos e que nos deixe perdidos num mar de desejo.
Que faz a gente esquecer de onde estamos, e nos diz para só deixar os instintos assumirem o controle para que possamos nos devorar incessantemente.
Tem beijo que já mata de tesão.
Tem beijo que já é transa.

Pesadelo

- O que foi, hein?
- O que foi o quê?
- Desde que a gente acordou você tá me olhando.
- Mas e o que tem?
- Tem que isso tá meio estranho.
- Ah, é besteira.
- Fala logo.
- Nada, é que eu tive um pesadelo.
- Ah, foi por isso que você levantou de madrugada?
- Sim.
- Como foi?
- Eu sonhei que eu não conseguia mais enxergar, só ficava ouvindo vozes e não conseguia ver ninguém. Ai acordei e como tava escuro, corri o banheiro, acendi a luz e me vi no espelho, pra ter certeza que só tinha sido um sonho, mesmo.
- Tá, mas isso não explica esse olhar meio diferente.
- Explica sim. Quando eu voltei pra cama, demorei um pouco a dormir, e fiquei pensando como deve ser horrível a sensação de perder a visão. Ai pensei que seria desesperador se eu não pudesse mais te ver. Então decidi que não vou desperdiçar nenhum segundo que puder quando estiver perto de você.
- Eu já te chamei de idiota hoje?

A Carta

A gente nunca havia se falado até hoje.

Na verdade acho que eu nunca acreditei que algum dia isso sequer fosse acontecer. Se antes eu já sabia que minhas palavras jamais chegariam até você, hoje em dia é que seria impossível, mesmo.

Mas aqui estou eu.

De ver tantas vezes alguém fazendo isso e acabar sendo atendido, e depois de não saber mais a quem recorrer, aqui estou eu.

Mesmo adulto, eu ainda lembro o que falam sobre o senhor, então eu quero acreditar que o senhor existe.

Sei que o senhor é capaz de fazer o seu trabalho numa velocidade incrível, mas sei também que está em cima da hora, e entendo se não der tempo até amanhã.

Mas acho que seria legal se, no natal do ano que vem, ela estivesse aqui.

Luxúria

A cada passo que ela dava, o coração dele batia mais forte. Quanto mais perto ela chegava, ele ficava mais excitado. Por instinto, tentou a alcançar, mas não conseguiu. Ele estava com as mãos amarradas.
Ela mordeu os lábios e não conseguiu conter um pequeno gemido. Ela também estava excitada com aquela visão.

 - Como você se sente, sabendo que eu posso fazer o que eu quiser com você? - ela perguntou sabendo que não ouviria resposta, ele estava amordaçado. Então, ela lentamente começou a subir seu pé em direção a virilha dele, que respirou forte quando sentiu ela pressionar o pênis ereto com seu pé. - Nem consegue disfarçar! Muito bem, é assim que gosto do meu brinquedinho. - Ela falou, enquanto se aproximava dele e sua mão começava a masturbá-lo. Olhar a expressão de prazer, enquanto ele estava indefeso, a deixava louca.

Era a primeira vez que ele a via daquele jeito, como se possuída pela luxúria, mas uma coisa ele sabia: a partir daquele momento, ele faria qualquer coisa para satisfazê-la.

Covardia

A ter que te olhar nos olhos
e te dizer adeus,
eu só consegui voltar no tempo
e fingi que a gente nunca aconteceu.

Porta

Todo dia eu bato
em uma porta diferente
mas na verdade eu sempre espero
que você seja a pessoa
que esteja do outro lado.

Enquanto você não chega

Se eu fecho os olhos,
eu consigo sentir tua boca na minha.
Consigo sentir o teu toque eu meu rosto,
minhas mãos em teus cabelos,
o teu corpo dançando com o meu.
Sinto o teu sabor em meu dedos,
a tua lingua em meu corpo,
e tu desaguando comigo.

E quando eu abro os olhos, respiro fundo
e luto contra a vontade de fechá-los
e sentir tudo de novo,
enquanto você não chega.

Provocação

Lá estavam os dois numa tarde qualquer, procurando algo pra ver, na tv, enquanto discutiam sobre o tipo de coisa que queriam assistir. Ela queria ver série - ele não, pois sabia que se começassem, ela não ia querer parar até terminar todos os episódios disponíveis - e ele preferia um filme. Depois de um longo debate, ela deu play, vitoriosa, em um episódio da série que ela estava querendo ver há algum tempo - ele queria assistir um filme que os dois já tinham visto muitas vezes e ela já não aguentava mais. Ele, derrotado, prometeu que não iria dormir, e ela sentou entre as pernas dele e encostou em seu peito, e disse estar preparada para dar cotoveladas caso ele caísse no sono.

15 minutos de episódio passados, ela comentou que a série não era tão empolgante como ela imaginava. Ele falou que ainda era cedo pra tirar uma conclusão, que os dois deviam terminar ao menos o primeiro episódio para decidir o que fazer depois, e ela concordou. Ele brincou dizendo que se os dois estivessem vendo o filme que ele havia sugerido, aquilo não estaria acontecendo, e ela deu uma leve cotovelada nele, que protestou dizendo que se não fosse pelo perfume dela, que o tranquilizava, ele revidaria a altura. Ela afastou o cabelo, deixando o pescoço a mostra, o provocando. Então, enquanto ela assistia, ele começou a cheirar lentamente o seu pescoço. Ela foi perdendo a concentração na tv aos poucos, enquanto ele a beijava de leve. O clima foi começando a esquentar, e as mãos dele começaram a passear pelo corpo dela, por cima da roupa, até entrar embaixo da blusa dela e tocar levemente a sua barriga, subindo e descendo. Então ela virou o rosto, o beijou, e os toques das mãos dele ficaram mais intensos. Ela então levantou a blusa e deixou os seios a mostra, e ele então os acariciou, primeiro passando os dedos lentamente, deixando-os arrepiados, e depois os massageando. A sua outra mão escorregou até as coxas dela, explorando cada centímetro, até começar a subir. Ela, suspirando, puxou a calcinha para o lado, e ele começou a masturbar devagar enquanto ela mordia e beijava o seu pescoço. A respiração dela ficou ofegante e, em resposta, ele começou a aumentar gradativamente a velocidade dos dedos. E então, no auge da excitação, ela pôs a mão em cima da dele, e pediu que ele a beijasse ardentemente, e finalmente se entregou ao êxtase.

Depois de alguns minutos, quando recuperou as forças pra falar, ela disse que ele jogou sujo e que iria ter volta, ao que ele respondeu que só fez o que sabia ela queria, pois se havia uma coisa que ela gostava, era de saber que ele sempre foi incapaz de resistir quando ela o provocava.

Ela era feliz por saber que o tinha na palma da mão, e ele por saber que não havia lugar melhor no mundo para estar.

Tentando

- Nossa...
- O que foi?
- Tua cara.
- Hã?
- É só porque ela chegou?
- Eu não tô entendendo, juro.
- Foi só ela aparecer pra você ficar com essa cara de besta.
- ...
- Tenta não dar tanto na cara.
- Acredite, eu tô tentando.

Tensão

Ele a pegou pela mão e a puxou até um canto mais discreto, mal iluminado. Ela, pressionando seu corpo contra o dele, o beijou com vontade enquanto suas mãos sedentas desabotoavam a calça e sentiam o corpo dele a desejando desesperadamente. Ele a ouvia gemer baixinho, enquanto sua boca percorria o pescoço, até lentamente começar morder e beijar o seio dela, que levantou a saia e se pôs contra a parede. Então, se entregando aos seus instintos, ele a penetrou enquanto ela o prendia entre suas pernas.
As vozes na sala ao lado eram altas, a movimentação era grande, mas isso só os deixavam mais excitados.
Havia tesão na tensão.
Correndo o risco de serem pegos no flagra a qualquer momento, os dois haviam sucumbido ao desejo que sentiam um pelo outro ali mesmo.

Escondidos em plena vista, os dois eram um só.

Voto

Enquanto estivermos sob o mesmo céu.
Enquanto houver motivos para sorrir toda manhã, e enfrentar mais um dia com o pensamento no beijo que eu te darei ao te encontrar.
Enquanto o coração acelerar ao ouvir você bater a porta, ou rir por qualquer coisa, eu prometo.
Eu te amarei enquanto eu puder.
E quando eu não puder mais, é porque eu já terei ido embora.

Canta

Eu gosto quando você canta para mim.
Canta sobre como foi seu dia. Sobre algo que esqueceu de fazer, ou a briga besta que teve no trabalho. Um capítulo de um livro que acabou de ler, ou o filme ruim que viu na tv.
E enquanto você canta, eu danço sem pensar em mais nada que não seja em o quanto a melodia da tua voz é mais bonita do que qualquer música que eu já tenha ouvido em toda minha vida.

A pequena morte

Enquanto a língua sente
o sabor do corpo
que lentamente se entrega
deixando-se morrer,
a mão o traz de volta e,
com o seu toque intenso,
deliciosamente o prepara
para morrer mais uma vez.

Tempo

O meu jeito de marcar o tempo é diferente.
Enquanto todos seguem o relógio,
pra mim só amanhece quando você me diz "bom dia".

Teu rosto é meu sol
teu sorriso, minha manhã,
tua voz, a minha tarde,
e teu olhar é o meu por do sol.

E mesmo que a noite caia
e a madrugada chegue,
o meu dia acaba quando você dorme.

505

Nada havia o preparado para aquela visão.

Por mais que ele tivesse imaginado aquele momento incontáveis vezes, vê-la ali se despindo em sua frente o fez questionar se tudo aquilo era real. E ela sabia exatamente o que ele estava sentindo, pois ria maliciosamente enquanto desabotoava a blusa e pensava como era excitante saber que naquele momento, ele estava em suas mãos.

Enquanto o som tocava uma música calma, ela caminhou lentamente pelo quarto a meia luz, se deliciando com os olhares que ele a lançava. Ao se aproximar ele tentou se levantar, mas ela, com um simples toque em seu peito, o fez sentar novamente, e ele sentiu como se um raio tivesse o atingindo em cheio. Então ela sentou em seu colo,  enquanto dançava no ritmo da musica que tocava. Ele estava hipnotizado, mas também estava sendo consumido pelo desejo, que crescia gradativamente com a música. Ela passou o dedo lentamente em seus lábios, como se programasse uma bomba relógio, e quando a música explodiu, os dois finalmente cederam aos seus instintos e se beijaram intensamente. E então eles transaram. Ele deixou as mãos correrem pelo corpo dela, que queria que cada centímetro fosse explorado, ela rebolando intensamente enquanto sentia o sabor do tesão em cada beijo, até gozarem juntos várias vezes naquela noite.

Na manhã seguinte, os dois acordaram, se olharam e começaram a rir. Era engraçado pensar que aquilo finalmente havia acontecido e não haviam mais como voltar atrás. Nenhum dos dois saberia dizer que aconteceria no futuro, só sabiam de uma coisa: que tudo que eles queriam no momento, era continuar de onde haviam parado na noite anterior.