Não podemos dizer que a primeira vez dos dois foi incrível. Na verdade, passou bem longe disso.
Ele
ficou tão nervoso que mal conseguia desabotoar a blusa dela, que
tentava calmamente o tranquilizar, mas sem sucesso. O beijo afobado e o
fato de não saber o que fazer com as mãos o deixou tão desesperado, que
ele só pediu desculpas e foi embora, dizendo que tudo bem se ela não
quisesse mais olhar na casa dele. Ele mesmo não queria nem passar na
frente do espelho, pra não ter que encarar a face da derrota.
Ela
até que tentou se aproximar, já que de fato gostava dele, mas a
confiança dele nunca foi das melhores, então o sentimento de a ter
decepcionado de alguma forma o deixava envergonhado, e o pior é que ele
nem sabia dizer o motivo de ficar tão abalado, e por isso, ele decidiu se afastar. Os dois ainda eram
jovens, e seus caminhos se separaram, mas sempre acabavam por
se cruzar em alguns momentos. E toda vez que eles se encontravam, ele
ficava nervoso: sempre era um sinal de que ia acontecer algo de
errado. Seja derrubar um copo cheio de bebida nela, seja tropeçar e cair
no meio de bar lotado, se os dois estivessem juntos, pra ele, era a receita do
desastre. Mas ela adorava
o jeito estabanado dele, sempre ficava olhando com carinho e se
divertindo com ele tentando corrigir as coisas e piorando tudo. "Gosto
estranho demais", diziam as amigas dela sobre o tipo de homem que a
atraia, mas ela não se importava, só dizia que adorava a sensação de ser
a gata caçando um ratinho com "uma carinha de bobo e desesperado" que
ela adorava.
Os anos
foram passando e os encontros ocasionais deixaram de acontecer, ao menos
até que o casamento de um amigo em comum os reunisse novamente depois de um bom tempo. Assim que o viu, ela tentou imaginar o
que poderia acontecer de divertido a partir daquele momento. Ele veio ao seu
encontro, e a cumprimentou calmamente, o que ela definitivamente achou
estranho, já que aquilo nunca havia acontecido desde a primeira vez que
os dois se viram. Ele perguntou se ela queria algo para beber, e diante
da afirmativa dela, se levantou sem ao menos hesitar. Enquanto a cerimônia
rolava, os dois conversavam sobre a vida que tinham levado até aquele
momento. E quando abriram o salão para que, enfim os convidados pudessem se
juntar aos agora recém-casados, ele se levantou e a convidou para
dançar. Ela, completamente surpresa, aceitou o convite. "O que
mudou?"- ela o perguntou enquanto dançavam, já que por mais que ela tentasse, nunca
imaginaria que uma situação como aquela pudesse acontecer entre os dois.
"Eu sempre tentei me preparar quando o assunto era você, mas sempre dava errado. Por mais que eu
tentasse, sempre saia do controle, e eu não entendia o motivo. E foi
assim até que um dia, eu percebi. A gente nunca vai estar preparado pra
quem a gente gosta."
Enquanto a noite avançava lentamente e a banda tocava animada, nenhum dos dois dava sinal que tinham cansado de dançar.