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Tá tudo bem?

Percebi que nunca havia respondido sinceramente quando alguém me perguntava se estava tudo bem até a pessoa certa perguntar.

Mesmo quando era uma pessoa próxima, eu nunca senti que podia responder de verdade. Talvez por infelizmente ter problemas em me abrir, talvez por outro motivo, o fato é que até o momento de responder franca e naturalmente chegar, era algo que só respondia mecanicamente.

E também percebi que quase sempre que se faz essa pergunta, a resposta a ela não é o que interessa.

Segundo lugar

Nem sempre quem vence é o melhor.
Pode ter sido apenas um golpe de sorte, ou a inteligência de usar uma pequena abertura para se alcançar a vitória depois de um jogo duro, em que claramente quem venceu não merecia, até ter essa oportunidade de mudar a situação.

Nem sempre a música que chega no topo das listas é a mais bonita, a que toca na nossa alma. Nem sempre o campeão de bilheterias dos cinemas é o filme que vai mudar a sua vida. Nem sempre a pessoa escolhida pra se ter ao lado é a que realmente merece estar.

Por mais que possa parecer amargo, lá na frente dá pra perceber que nem sempre é tão ruim ficar em segundo lugar.

Penso

Eu penso demais.

Penso se devo falar algo. Se devo fazer.
Penso se devo escrever. Penso se não estou me repetindo.
Penso sobre ramificações de coisas que só considerei.
Penso sobre o filme que acabei de assistir, a música que ouvi, a história que me contaram.
Penso nas coisas mais comuns, nas mais absurdas, nas mais pervertidas.
Penso no que vou escrever na próxima vez que estiver aqui, se vai ficar bom, se é digno de ser lido.
Penso tanto, que penso até como seria se eu não pensasse demais.

Mas eu penso demais.

Hora

Nem sempre é o momento certo para assistir àquele filme, ouvir àquela música, ler àquele livro.
Pode ser que a mensagem não chegue, a música não toque...
Até que um dia, uma musica que se ouviu mil vezes antes, pode pela primeira vez fazer chorar.
O filme que tanto se viu, pode ganhar uma nova interpretação.
Mas nunca dá pra saber quando a hora pode chegar. Ela só chega.

Haiku

A noite chega
Corpos em movimento
Desejo sem fim.

Frame

Se eu pudesse emoldurar qualquer frame da minha vida, eu escolheria aquele milésimo de segundo antes dos nossos olhos começarem a se fechar, quando nossas bocas estão prestes a se encontrar.

Carta para quando eu me for

Acho que devia ser por volta das 5 da manhã. O sonho que estava tendo me fez acordar de repente. 

Nele, eu estava lendo uma carta para alguém e o título dela era "carta para quando eu me for". Antes disso, eu havia corrido atrás da pessoa, que tentava fugir para não ter que ouvir aquelas palavras, como se soubesse o que estava escrito. Então, quando eu a alcancei e comecei a ler, ela começou a chorar, e eu também a cada palavra que lia. Ao final, apenas chorávamos abraçados em silêncio. 

O engraçado é que se você estiver sonhando e for ler alguma coisa, é praticamente impossível. Eu aprendi isso num episódio de Doctor Who e uma vez, durante um sonho em que eu tentei ler algo e não consegui, lembrei desse episódio no sonho e pensei "caralho, né que Doctor Who tava certo mesmo?". Logicamente tem uma explicação cientifica para isso, que é a parte do cérebro responsável pela comunicação e interpretação estar bem menos ativa durante o sono.

Só que tem um detalhe: eu me lembro bem da carta. Lembro de cada palavra. E quando acordei de repente, estava sentindo mesma a tristeza que sentia enquanto lia em meu sonho, e com a impressão de que não era a primeira vez que tinha esse sonho, porque era um tipo de tristeza que eu já conhecia. Eu sei que provavelmente alguém já deve ter escrito um texto ou até mesmo um livro com esse título, porque é uma frase simples e não é preciso ser nenhum Shakespeare para escrevê-la (a prova disso é eu mesmo ter pensando nela, mesmo que em sonho), mas eu tenho certeza absoluta que nunca li nada com ela que justificasse essa sensação de já ter lido algo assim. Aí, alguns minutos depois eu voltei a dormir, mas quando acordei de fato, fiquei pensando sobre isso. 

Primeiro eu pensei em escrever essa carta aqui, enquanto ela ainda está clara na minha mente, abri a página em branco com esse objetivo, mas por alguns motivos, achei melhor não. Talvez um dia, se ainda me lembrar, eu escrevo.

Ou não, vai que eu ainda não queira ir embora, né?

Do nada

No último dia do ano,
do nada,
eu acabei me fazendo perguntas
que eu não sei se quero 
descobrir as respostas.

Equilibrar

Eu já senti a sua falta o suficiente para umas três vidas, e eu não fiquei no teu beijo por um minuto.

Então, acho que tá na hora da gente equilibrar um pouco as coisas.

Brilho

De tanto viver nas sombras, meus olhos ainda não se acostumaram bem com o brilho que a vida tem sob a luz do sol.

Valsas

Percebi que escrevo valsas demais.
É como se minha vida fosse um grande salão, e eu o preenchesse com a melodia solitária das músicas que eu canto, mas que ninguém jamais irá ouvir.

Oi

Vez ou outra eu me pergunto
se toda noite eu também 
dou uma passadinha em sua mente
pra te dar um “oi” antes de dormir.

Eclipse

Por mais que não estejam juntos
a lua se ilumina só de ver o sol brilhar.
E, quando os dois resolvem se encontrar,
mesmo que por um breve instante,
é lindo demais vê-los namorar.

Ruby

Como o personagem do filme,
eu tento, desesperadamente, escrevê-la,
na esperança de que ela ganhe vida
e possa receber o meu amor.

Éramos dois

A gente sempre viveu feliz
Tínhamos nossa vida tranquila.
Mas, de repente, tudo mudou.

Éramos nós dois.
Só que agora não somos mais.

Mal posso esperar pra ouvir o que você vai dizer, depois de descobrir que agora seremos três.

Entregar

Saudade
é quando tem tanto amor
dentro do meu peito
e eu não posso te entregar.
Então eu guardo comigo
até poder te encontrar.

Cerveja

Eu nunca mais
bebi cerveja do mesmo jeito.

É que fica difícil apreciar,
já que a última vez
que ela me deu prazer,
foi no dia que eu sentir o sabor dela
vindo da sua boca.

Estrelas

Perdi a conta
de quantas estrelas eu contei
deitado em tua cama,
já que quando deitei nela
eu fui parar no céu.

Van Gogh

Do que adianta
dar valor a alguém
que nunca chegou a saber
que era digno
de merecê-lo?

Fantasma

Nunca fui 
de acreditar 
em fantasmas,
mas fui obrigado
a ter que conviver
com a assombração,
em cada cômodo dessa casa,
da vida que nós tínhamos
até o dia em que você partiu.