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Audição

Já havia se passado algum tempo e ele não conseguia enxergar ou se mover. Só podia confiar na audição, já que era o único sentido que ele podia confiar naquele momento. Mesmo com o cérebro instintivamente concentrando todas as atenções em captar algum som, não conseguia ouvir nada. Ele sabia que não estava só, mas o fato de não conseguir saber o que estava acontecendo o deixava quase que desesperado.

Então, ele começa a ouvir passos, ainda que distantes. Na medida que se aproximavam, o seu coração começava a bater mais forte e a respiração ficou acelerada. Quanto mais perto os sons, mais ele ficava inquieto, até que tudo ficou em silencio novamente. Então, antes que ele pudesse esperar, sentiu como se uma descarga elétrica o tivesse atingido no peito. Atordoado, ele tentou se inclinar para frente, mas não conseguiu. Estava bem amarrado na cadeira. Então, sentiu o que na verdade era a ponta de um dedo, que começou a descer lenta e levemente pelo seu peito nu. E ao sentir os dedos ultrapassarem o seu abdome, ela se inclinou e sussurrou em seu ouvido:

- Agora você existe apenas para me satisfazer.

Ele quis responder, já que sabia que estava completamente entregue pra que ela pudesse fazer o que bem desejasse, mas a única coisa que conseguiu foi estremecer de excitação.

Pra onde devo ir

Eu não me arrependo 
do caminho que fiz 
para chegar até aqui.

Mas ultimamente 
ando sem saber pra onde devo ir,
e extremamente pensativo
sobre o que encontrarei no fim.

Eu sei que você me viu

Nós sempre tivemos uma relação que eu nunca soube definir. 

Sim, éramos amigos, sempre fomos. Mas havia algo no ar. Sempre que a gente se encontrava, em algum momento o clima ficava diferente. Um olhar diferente, um flerte. Não sei se era apenas a bebida falando por nós ou se realmente havia algo ali, se sentíamos algo, nunca chegamos a saber. Era uma coisa velada. E a vida seguiu seu fluxo, e nossos caminhos se distanciaram. Os círculos de amigos mudaram e nós mudamos também. Você casou, mudou de cidade, perdemos o contato de vez. E tudo bem, era pra ser. Eu nunca mais pensei em você, e tenho certeza que você nunca mais pensou em mim também. Então era natural dizer que você era a última pessoa na face da terra que eu esperava encontrar.

Uma noite completamente igual a todas as outras, quando eu encontro o meu grupo de amigos de sempre, e decidimos na hora pra onde vamos. Não esperava que fosse chegar em um lugar e, no meio de tanta gente e com pouca luz, pudesse olhar e dar de cara com você, ali. É engraçado como o nosso cérebro funciona, como coisas que julgávamos completamente esquecidas são ativadas em uma fração de segundo. Ao vê-la ali, lembrei de todas as noites de conversa, os flertes discretos, as risadas. E na hora eu senti uma vontade imensa de levantar do meu lugar, atravessar todo o salão e te cumprimentar. Mas não o fiz. Você casou, e seu marido estava lá, junto de todos os seus amigos. E minha vida seguiu também. Eu não cheguei a casar, mas eu conheci alguém, e algo está me dizendo que dessa vez a coisa vai andar. Mesmo não tendo nada concretizado, mesmo ela não estando comigo naquela hora, não é algo que eu possa jogar fora. Aliás, eu nem quero. Então voltei a minha atenção aos meus amigos. Mas por um momento eu tive certeza que você estava olhando pra mim. Eu sei que estou bem diferente de antes, mas ainda sou eu. Eu sei que você me reconheceu.

Aí a noite acabou. 

Eu sei que daqui a algum tempo eu tornarei a não lembrar de você, e provavelmente não vou nem lembrar dessa noite. Mas por mais que não tenhamos nos falado, eu sei que você me viu também.

Tempo Perdido

No final dos anos 80, era comum as emissoras de TV saírem do ar durante a madrugada e ficarem sem sinal até amanhecer, só voltando a funcionar por volta das 7 da manhã. E durante esse tempo até a volta do sinal de TV, alguns canais transmitiam sinais de rádios, onde se tocava o que não se ouvia por aqui com frequência: musicas internacionais, trilhas de filmes... E meus pais contam que desde pequeno, eu acordava quando estava amanhecendo, colocava uma almofada na frente da TV, ligava e ficava sentado, ouvindo e cantando as músicas, e fazia isso religiosamente, tanto que em uma dessas vezes meu pai colocou o despertador pra tocar mais cedo, pegou um gravador e se escondeu atrás de uma das cortinas da sala, pra que pudesse gravar a minha cantoria sem que eu percebesse, já que eu poderia ficar com vergonha caso o visse na sala.

Eu tive essa relação com a música desde pequeno, e isso nunca mudou. Cresci ouvindo muita música, cantei em coral, cantei em igreja, até cheguei a cantar em um casamento quando era moleque, e obviamente, queria ter uma banda de rock. Aprendi tocar violão só pra poder tocar as músicas que gostava, e o sonho da banda era apenas um sonho mesmo. Eu sabia que das minhas limitações, que não era apenas saber tocar algumas músicas, a coisa era muito mais profunda, e depois de crescido, os traços da personalidade já não eram mais os mesmos de quando eu era adolescente e era fácil me apresentar na frente de uma plateia. 

Um dia, eu estava numa festa em que uma banda de uns amigos, que era até conhecida por aqui. estava tocando. E aquela apresentação deles estava muito empolgante, todo mundo cantando junto, uma energia enorme. Ai um dos meus amigos olhou pra mim e me chamou. Eu corri, já que pensei que ele ia pedir pra que eu pegasse algo pra ele, ou que estava com algum problema. Ele tirou o violão e disse "toca". Eu olhei pra ele por um instante, sem reação, e ele insistiu: "toca. É Tempo Perdido". Eu disse a ele que não sabia os acordes. Eu realmente não sabia. Era uma música que eu sempre ouvia, mas nunca havia parado pra aprender. Um outro amigo chegou junto e disse "olha pra mim, eu te digo os acordes". E assim eu peguei o violão, e estava tremendo. Respirei fundo, olhei pro meu amigo, e comecei a tocar. A medida que a música progredia, os acordes dela eram cravados na minha mente enquanto eu aprendia ali, na hora. E eu que comecei a música tenso, estava completamente entregue a explosão ao fim dela. A energia que percorreu meu corpo naqueles poucos minutos foram suficientes pra que eu nunca mais pudesse esquecer daquele momento. 

O tempo passou e eu até cheguei a ser parte de uma banda, mas toda vez que eu escuto Tempo Perdido, sempre me lembro da vez que por um momento, eu me senti uma estrela do rock.

Mudar

Hoje é um daqueles dias em que fico pensando no que devia ter feito, dito ou evitado, e no quão diferente estaria a minha vida se eu não fosse tão eu.

Mas não dá pra voltar e mudar o que aconteceu. 
Só dá pra mudar a mim.

Pessoas

Tem pessoas que nasceram pra ficar juntas, e um dia se encontram;
que nasceram pra ficar juntas, mas que nem chegarão a se encontrar;
pessoas que não nasceram pra ficar juntas, mas estão mesmo assim,
e pessoas que por mais que se deseje, nunca ficarão.

Quinta-feira

As coisas já não eram como antes. Ela sabia.

Ele também já havia notado que as manhãs já não tinham o mesmo brilho de antes, que os sons já não eram os mesmos. Mas havia uma história ali, havia toda uma vida, que em seus momentos altos e baixos, os dois viveram juntos, então simplesmente virar as coisas e ir embora era um desfecho muito infeliz diante de tudo que eles viveram.

Eles não estavam se deixando por ódio, só perceberam que o que existia não era mais o suficiente para continuarem juntos. Por isso resolveram se despedir apropriadamente. E assim, levados por lembranças no fim da tarde daquela quinta-feira de outono, foram se encontrar no mesmo lugar em que haviam se visto pela primeira vez. Caminharam pelo parque, cada um contando como havia sido o seu dia, e foram ao restaurante em que ele a levou a primeira vez. Era um lugar bonito, de iluminação fraca, com algumas mesas ocupadas por casais apaixonados, e um piano de cauda nos fundos, que era tocado por um jovem rapaz. Enquanto a noite caía eles conversavam. Não tentavam descobrir porque tudo havia chegado até ali, não era necessário. Eles apenas falavam coisas bobas e dos bons momentos que eles viveram juntos.

Depois de algumas taças de vinho e muitos sorrisos, o rapaz do piano que havia dado uma breve pausa, torna a tocar, e os primeiros acordes de "As time goes by" soam pelo restaurante. Ele deixa escapar um sorriso, a olha e a convida para dançar. Ela fica receosa, já que não havia mais ninguém no meio do salão. "Desde quando você se importa com a falta de pessoas dançando?" ele pergunta, e ela, vencida, vai. E então eram apenas os dois, sendo guiados pela melodia que saía do piano, sendo observados pelos outros casais que estavam naquele restaurante, e assim terminou.

Os últimos passos, da última dança, da última canção de um disco que não irá mais tocar.

Dentro

Já dividimos tantos momentos
Tantos segredos, tanta vida, 
que sobrepujamos a lei da física
e mais que ocupar o mesmo espaço,
estamos dentro um do outro.

Ressonância

Uma palavra dita sempre ecoará.

Independentemente do sentimento com o qual ela foi proferida, num momento de felicidade ou num rompante de ódio, ela sempre ficará gravada.

E, inevitavelmente, em algum momento ela será lembrada, mesmo que não carregue mais o sentimento que a estava relacionado. Não é mágoa, nem nada do tipo. A lembrança só vai vir e, involuntariamente ou não, pode virar uma chave e fazer com que, depois de tanto tempo, ela entre em ressonância com o coração de quem a ouviu.

Um dia

Eu só precisei de você
pra fazer um dia diferente o suficiente
pra me fazer esquecer
os duzentos dias iguais que eu tive.

Ritmo

Enquanto a melodia toca,
sigo o ritmo com meus dedos
fazendo teu corpo soar como eu quero
até que a música passe a não mais importar.

Transe

Eu não estava preparado. 

Na realidade, nunca estou.

Por mais que já tenha acontecido um número incontável de vezes, jamais saberei agir como se fosse algo normal. Meu cérebro falha, e eu não faço nada além de congelar, naquele espaço de tempo de menos de um segundo. 

Depois, o tempo corre normal e eu saio do transe, mas sei que tudo vai acontecer de novo e de novo, sempre que eu te vir pela primeira vez.

Uma promessa boba

Praticamente a maioria das pessoas que você conhece já fez aquele acordo com uma amiga ou amigo que, se ambos atingirem uma certa idade e estiverem sozinhos, os dois irão se casar. Bem, na verdade você já deve ter feito isso, eu já fiz... É uma promessa boba e, de certa forma até fofa, já que carrega todo o simbolismo de os amigos estarem sempre ali, sempre juntos, impedindo que o outro passe a vida só. E sem falar que, por serem amigos, é tudo mais simples: ambos já se conhecem profundamente, qualidades e defeitos... Na teoria, parece perfeito.

Na teoria.

Esses dias me deparei com o relato de um cara que fez essa promessa com sua melhor amiga, que se chegassem aos 30 e estivessem sozinhos, casariam. E ele contou que ao ver todos as outras pessoas ao seu redor se casando, engravidando, formando família, os dois decidiram que chegou a hora da promessa ser paga. Resolveram se casar e, pra todos os outros amigos, pareceu uma coisa natural, já que ambos eram amigos de longa data, foi muito fácil vender a ideia de que era uma coisa real, que era apenas uma consequência, algo que cedo ou tarde aconteceria. E ele seguiu contando que na nova vida, o começo foi estranho e engraçado, com os dois tentando descobrir como as coisas funcionariam, o que fariam ou não. Tentaram transar algumas vezes, mas acabou não rolando pra ela, que não conseguia desvincular a imagem de amigo de longa data do agora, marido, e decidiram ser melhor eles dormirem com outras pessoas.

E assim foi, com ela ficando com vários caras, e ele ficando com apenas uma mulher, porque logo percebeu que estava perdidamente apaixonado pela sua esposa, que claramente nunca sentiu nada por ele além de uma profunda amizade. Para ela, ele era apenas um grande amigo que sabia tudo sobre ela, desde as coisas mais triviais até as mais intimas (inclusive sobre o sexo que ela fazia com os outros caras). E ele concluiu dizendo que não sabia o que fazer, pois sabia que a partir do momento que revelasse o que realmente sentia por ela, iria estragar até a amizade. Ela jamais o amaria de uma forma diferente, isso era claro.

Putamerda, eu não sei nem por onde começar.

Enquanto eu lia história do cara, fiquei imaginando o inferno que deve ser. Imagina dividir o teto com a pessoa que você ama, mas que não sente nada (até porque ninguém tem obrigação nenhuma de sentir algo) por você? Imagina saber que ela tá mandando ver no quarto ao lado com uma pessoa aleatória e você não pode (e nem tem o direito de) fazer nada a não ser sofrer com sua dor? Eu poderia realmente olhar romanticamente para essa situação, só fiquei indignado. Por que caralhos esse cara não se separa? Que medo é esse de estar só? Se for pra apenas dar uma resposta a sociedade, agir de acordo com o que se espera de um adulto, essa é a coisa mais burra a pode ser feita. Achar que a vida acaba se você passar dos 30 e não casou é a maior idiotice que eu já vi na minha vida.

Enfim, ainda bem que a gente faz essas promessas simplesmente da boca pra fora, porque querendo ou não, é bem comum uma pessoa acabar casando com alguém que acaba não sentindo a mesma coisa da mesma forma que ela, e essa história absurda que aconteceu com esse cara acabar se mostrando uma possibilidade real.

Chuva

Quando levantou e saiu do quarto, foi que ele percebeu o tempo fechado. Na verdade, nem ouviu como o mundo caia lá fora, o barulho intenso da chuva contra o vidro, ou os trovões que rasgavam o céu. Eram pouco mais de 8 da manhã, e não havia sinal de que o céu iria azular. Depois de alguns segundos refletindo, enquanto olhava a chuva cair intensamente naquela manhã de domingo, concluiu, rindo:

- É nisso que dá, ter roubado o sol pra mim.

Fechou a cortina, voltou para o quarto e deitou ao lado dela, que ainda dormia tranquilamente.

Impacto

A melhor parte
de me deixar dominar
é o impacto que causo
quando a gente troca de lugar.

Madrugada

Os dois saíram pra ver um filme, mas no caminho ela sugeriu que os dois podiam passar no bar de sempre para tomar um drink ou umas cervejas, depois que o filme acabasse. "Ou a gente pode nem ir ao cinema e já começa a beber de agora", ele brincou. Ela, olhando pra ele seriamente, falou "ainda bem que a gente nem chegou a comprar os ingressos, porque é exatamente isso que a gente vai fazer agora". Ele olhou incrédulo, já que ela queria muito ver o filme até o dia anterior, mas não questionou e só mudou de caminho.

No bar, ainda não havia muita gente, mas alguns amigos deles já estavam por lá. Depois de falar com todo mundo e se sentarem a mesa, ele a perguntou o que queria beber, que respondeu que daquela vez os dois iam começar diferente. Ele ficou sem entender, e ela só levantou e foi até o balcão, voltando uns minutos depois com duas tequilas. Antes dele ter tempo de protestar, ela perguntou se ele tinha ficado com medo, o que o tirou do sério, já que ela sabia que ele cairia muito fácil na provocação. "Você tá jogando um jogo muito perigoso", ele disse, ao que ela respondeu "você já me viu perder alguma vez?". Os amigos também entraram na onda e, em pouco tempo, a mesa já estava animada e a noite nem havia começado direito. Enquanto conversavam com os amigos, ele sentiu a mão dela subindo pela coxa dele. Instintivamente ele olhou em volta pra ver se alguém havia percebido, mas todo mundo estava empolgado na conversa, inclusive ela, que agia como se não estivesse acontecendo nada, mas embaixo da mesa passeava com a mão apertando e acariciando o pênis dele, por cima da calça. No momento em que ela se preparava para abrir o zíper, chegou mais uma amiga deles, o que a obrigou a parar, e ele agradeceu em silêncio, porque sabia que a situação estava muito preocupante, e ia piorar se continuasse do jeito que estava. Então a amiga propôs que todo mundo se levantasse pra dançar, já que não havia de casa pra ficar parada, e todo mundo atendeu ao chamado.

Quando todo mundo se levantou, ele perguntou a ela se as tequilas que haviam tomado bateram errado, e ela respondeu que era justamente o contrário, bateram certo demais. Enquanto todos dançavam, ele a abraçou por trás, e ela o sentiu que ele continuava ereto. Então, ela começou a se movimentar lentamente, pressionando os quadris contra ele, que respondia a altura, a apertando forte. A luz e a música também ajudavam a criar o clima, e logo haviam outros casais dançando, o que os deixou mais à vontade para se empolgarem um pouco mais. Ele beijava o pescoço dela, o que a fez virar e o beijar com vontade, com as mãos percorrendo os corpos ousada, mas discretamente. Depois de alguns minutos, ele perguntou se já não estava na hora de ir embora, e ela concordou, já que também estava com vontade de terminar o que havia começado. Se despediram dos amigos, e seguiram para casa.

Mal tiveram tempo de entrar, e ele a segurou pelo pescoço e empurrou contra a parede e logo já estava de joelhos, a chupando com devoção. Quando viu que ela estava prestes a gozar, ele parou, o que a deixou desnorteada. "Eu tô só começando", disse ele, enquanto a jogava no sofá.

A madrugada dos dois ia ser longa.

Bloqueio

Eu não sei sobre o que escrever.

Quer dizer, eu sei, mas ao mesmo tempo eu não sei se vou conseguir escrever algo que seja coerente ou satisfatório. Escrevo a primeira frase, mas não é o jeito que eu devo começar, então apago. Mudo palavras como se isso fosse o que precisava para a idéia se desenvolver, mas não rola. Vou mudar o tema, afinal tem aquele outro que eu pensei que daria em algo legal.

Agora vai.

Não, não foi. Não vai ficar tão bom... Melhor deixar esse pra fazer quando eu tiver mais empolgado. Vou voltar pro outro. Ontem não rolou, mas acho que agora vai.

Escrevi uma frase, duas, um parágrafo inteiro.

Aí vou ler e nossa, tá terrível.

Deixa pra lá, hoje também não vai rolar. Amanhã eu volto pra ver no que dá.

Tá tudo bem?

Percebi que nunca havia respondido sinceramente quando alguém me perguntava se estava tudo bem até a pessoa certa perguntar.

Mesmo quando era uma pessoa próxima, eu nunca senti que podia responder de verdade. Talvez por infelizmente ter problemas em me abrir, talvez por outro motivo, o fato é que até o momento de responder franca e naturalmente chegar, era algo que só respondia mecanicamente.

E também percebi que quase sempre que se faz essa pergunta, a resposta a ela não é o que interessa.

Segundo lugar

Nem sempre quem vence é o melhor.
Pode ter sido apenas um golpe de sorte, ou a inteligência de usar uma pequena abertura para se alcançar a vitória depois de um jogo duro, em que claramente quem venceu não merecia, até ter essa oportunidade de mudar a situação.

Nem sempre a música que chega no topo das listas é a mais bonita, a que toca na nossa alma. Nem sempre o campeão de bilheterias dos cinemas é o filme que vai mudar a sua vida. Nem sempre a pessoa escolhida pra se ter ao lado é a que realmente merece estar.

Por mais que possa parecer amargo, lá na frente dá pra perceber que nem sempre é tão ruim ficar em segundo lugar.

Penso

Eu penso demais.

Penso se devo falar algo. Se devo fazer.
Penso se devo escrever. Penso se não estou me repetindo.
Penso sobre ramificações de coisas que só considerei.
Penso sobre o filme que acabei de assistir, a música que ouvi, a história que me contaram.
Penso nas coisas mais comuns, nas mais absurdas, nas mais pervertidas.
Penso no que vou escrever na próxima vez que estiver aqui, se vai ficar bom, se é digno de ser lido.
Penso tanto, que penso até como seria se eu não pensasse demais.

Mas eu penso demais.